Pentecostes

Mt 5, 38-48 “Sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu”

Na verdade este texto, continuando o Sermão da Montanha (Mt 5-7), continua o tema da leitura do domingo passado. Mais uma vez enfatiza que atrás de todas as nossas ações existem sentimentos, ou disposições internos.

Por isso Jesus dá o verdadeiro sentido à Lei, dizendo que o discípulo não pode se contentar em não agir mal, mas tem que mudar a sua maneira de entender o mundo, as pessoas e as relações. Com autoridade, “Eu digo”, ele declara que não basta que os seus seguidores não ajam como o mundo age, mas que dêem uma viravolta nos valores da sociedade vigente. Enquanto “olho por olho, dente por dente” era, nos tempos idos, um grande avanço sobre a lei da vingança exagerada, Jesus exige que os seus discípulos vão adiante, tirando até o desejo de vingança e retribuição, assim desarmando o mal e criando uma sociedade de novas relações. Sem dúvida uma visão utópica; mas, utopia não é ilusão, é o ideal que nos norteia e encoraja até que finalmente, passo por passo, ela se concretize.

Esses versículos insistem que o modelo para a vida cristã e as suas atitudes não é a sociedade dominante, onde os cristãos muitas vezes se contentam em agir exatamente como os outros, dentro do que é aceitável em uma sociedade que não segue o Evangelho. É só verificar quantos cristãos apoiam as atitudes nefastas de Donald Trump, por exemplo, e comparar as suas atitudes com as de Jesus! Ele insiste aqui que ser cristão não é simplesmente ser como qualquer um (“os pagãos”), mas é ter outros valores e outra visão. E qual é o fundamento desses valores, desse modo de agir? Não é o exemplo da sociedade e do mundo, mas o exemplo do nosso Pai. Jesus não deixa por menos: “sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu”. Obviamente nunca poderemos ser “perfeitos” como o Pai do céu, no sentido de não termos defieots ou fraquezas.. Essa frase relembra Dt 18,13 onde a Lei recomenda ao povo de Israel que seja perfeito na sua adesão ao Senhor. O Evangelho de Lucas explicita melhor ainda o sentido dessa frase quando ensina: “sejam misericordiosos, como também o Pai de vocês é misericordioso” (Lc 6, 36).

Sem rodeios esses versículos nos levam a examinar as nossas atitudes e ações, especialmente em relação à vingança, ao ódio, à dureza de coração, à compaixão e à misericórdia. A nossa medida nesses aspectos é a nossa sociedade, ou o nosso Pai? Se nós agimos e pensamos como qualquer outro, o que fazemos de extraordinário?

Pe. Tomaz Hughes SVD
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