Jo 2, 1-12
“Façam tudo o que Ele lhes disser”
A primeira parte do Quarto Evangelho é comumente chamada “O Livro dos Sinais”, pois o evangelista relata uma série de sete sinais que, passo por passo, revelam quem é Jesus, e qual é a sua missão (embora algumas bíblias traduzam o termo grego que João usa por “milagre”, a tradução mais acertada é “sinal”). O primeiro desses sinais aconteceu no contexto das bodas de Caná, o nosso texto de hoje.

Como quase todo o Evangelho de João, o relato está carregado de simbolismo, onde pessoas, números e eventos funcionam simbolicamente, para nos levar além da aparência das coisas, numa caminhada de descoberta sobre a pessoa de Jesus.
Um dos temas centrais do Quarto Evangelho é o da “hora” de Jesus. A “hora” não se refere à cronometria, mas à hora da glorificação de Jesus, por sua morte e ressurreição. Em resposta ao pedido feito por Maria (note que João nunca se refere a ela pelo nome, mas pelo título “mulher”), o autor quer indicar que Jesus rejeita uma esfera meramente humana de ação para Maria, para reservar para ela um papel muito mais rico, ou seja, o da mãe dos seus discípulos.  Maria somente vai aparecer mais uma vez neste evangelho - ao pé da cruz, onde ela e o Discípulo Amado assumirão um relacionamento de Mãe e Filho. Devemos lembrar que o Discípulo Amado simboliza a comunidade dos discípulos do Senhor, ou seja, nós hoje.
Apesar da nossa tradição devocional mariana, é importante não reduzir a ação da Maria no texto de hoje à de uma incomparável intercessora. Embora seja comum esta interpretação na devoção popular, não se sustenta do ponto de vista exegético. É melhor ver Maria aqui como discípula exemplar, pois embora a resposta de Jesus indique um distanciamento entre a sua expectativa e a visão d’Ele, ela continua com confiança n’Ele e leva outros a acreditar n’Ele.  Diante de aparente recusa de Jesus de se envilver na questão, Maria simplesmente diz aos servos: “Façam tudo o que Ele lhes disser”, sem saber o que é que Ele vai dizer.  Assim ensina que devemos ter confiança total na sua palavra, pois só vai dizer o que é a vontade de Deus.  Ele crê e leva outros – os servos – a acreditar na palavra de Jesus.
O simbolismo da água tornada vinho é também importante. Não era qualquer água - era a água da purificação dos judeus. Com esta história, João quer mostrar que doravante os ritos judaicos de purificação estão superados, pois a verdadeira purificação vem através de Jesus. Podemos entender isso como a mudança de uma prática religiosa baseada no medo do pecado, exigindo constante ritos de purificação, para uma nova relação entre Deus e a humanidade, a partir de Jesus. Assim, em Caná, Jesus começa a substituir as práticas do judaísmo do Templo, algo que vai continuar ao longo do Evangelho de João.
A quantia do vinho chama a atenção - 600 litros! O vinho em abundância era símbolo dos tempos messiânicos, e, na tradição rabínica, a chegada do Messias seria marcada por uma colheita abundante de uvas. Assim João quer dizer que a expectativa messiânica se realiza em Jesus. As talhas transbordantes simbolizam a graça abundante que Jesus traz.
A figura do mestre-sala é também simbólica, bem como a dos serventes. Aquele, que devia saber a origem do vinho da festa, não sabia, enquanto estes sim. Assim, o mestre-sala representa os chefes do Templo que não sabiam a origem de Jesus enquanto os servos representam os discípulos que acreditaram n’Ele.
Fazendo comparação entre o vinho antigo e o novo, João quer reconhecer que a Antiga Aliança era boa, mas a Nova a superou. Os ritos e práticas judaicos, ligados à purificação e ao sacrifício, não têm mais sentido, pois uma nova era de relacionamento entre a humanidade e Deus começou em Jesus.
O ponto culminante do relato está em v.11: “Foi em Caná que Jesus começou os seus sinais, e os seus discípulos acreditaram n’Ele”. A fé deles não é intelectual ou teórica, mas o seguimento concreto do Mestre, na formação de novos relacionamentos de amor. Passo por passo, o autor vai revelando Jesus através de sinais para que nós, os leitores, possamos “acreditar que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, acreditando, tenhamos a vida em Seu nome” (Jo 20, 31).

+ Pe. Tomaz Hughes SVD

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2019

05-03-2019 Notícias da Igreja

Quaresma 2019: converter-nos para fazer da criação um jardim, não um deserto A criação clama pela conversão dos filhos de Deus, escreve o Papa Francisco em sua mensagem para a Quaresma 2019. Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano O tema da criação inspirou a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2019. O texto foi divulgado esta terça-feira (26/02) na Sala de Imprensa...

Leia Mais

Jubileu de 50 anos da Paróquia verbita N. Sra. de Fátima - Vila das Belezas (São Paulo)

28-02-2019 Notícias da congregação

No dia 24/02/2019 foi celebrada a missa para agradecer, louvar e bendizer a Deus pelos 50 anos da Paróquia Nossa Senhora de Fátima na Vila da Belezas em São Paulo. A Igreja é formada por todos nós e pelas comunidades que a compõem: Nossa Senhora de Fátima, São Francisco de Assis, São Roque, Santa Rita de Cássia e São João...

Leia Mais

Jubileu de 50 anos da Paróquia verbita N. Sra. Aparecida - Jd. Miriam (São Paulo)

28-02-2019 Notícias da congregação

50 ANOS DE CAMINHADA COM A PROTEÇÃO DA MÃE APARECIDA A Paróquia Nossa Senhora Aparecida, fundada em 24 de fevereiro de 1969, completou 50 anos de caminhada. Em 1986 chegaram os missionários da Congregação do Verbo Divino para trabalhar junto ao povo do bairro. São mais de 30 anos trabalhando nesta Paróquia. Atualmente a Paróquia tem sete comunidades (Com. Sto. Antonio, Com...

Leia Mais