As 7 lições de liderança do Papa Francisco

 

Muito além da religião, Francisco nos trouxe uma nova perspectiva de liderança, mostrando a cada dia com suas palavras e...

Leia mais...

Mt 1, 18-24

"Ele vai salvar o seu povo dos seus pecados"

Este texto nos relata a história da concepção virginal de Jesus, na versão mateana. Tipicamente deste evangelho, escrito para uma comunidade predominantemente judeu-cristã, em polêmica com o judaísmo rabínico dos últimos anos do primeiro século, o texto traz muitas releituras de trechos do Antigo Testamento.

Para entendê-lo bem, devemos examiná-lo passo por passo, sempre lembrando do contexto em que foi escrito. A primeira coisa a ser entendida é a situação "matrimonial" de Maria e José. O casamento judaico da época se dava em duas etapas - primeiro os noivos assumiram o compromisso publicamente, diante de testemunhas, mesmo que não coabitassem durante mais ou menos um ano. A situação era mais séria do que o nosso noivado - na lei judaica, qualquer relação sexual neste período seria considerada adultério. Num segundo momento, a noiva era levada à casa do noivo, que assumia a responsabilidade pelo bem-estar dela, e os dois começavam a morar juntos. Foi no período entre as duas etapas que o texto coloca a anunciação a José. No relato de Mateus, diferente de Lucas, Maria não age diretamente - é José que desempenha o papel principal.

A atitude de José, de repudiar Maria secretamente, sempre levantava problemas. Pois para que um repúdio fosse legal, tinha que ser feito publicamente com um certificado oficial (Dt 24,1). Vários autores antigos debateram sobre a atitude de José. Como podia ser chamado de "homem justo", se ele esconde o crime da sua desposada? (São Jerônimo). São Bernardo pensava que José conhecia, ou por revelação de Deus, ou por Maria, o fato da concepção virginal. Então, diante da presença de Deus Infinito, por temor reverencial e respeito ao mistério, queria se retirar em silêncio. Escrevendo para uma comunidade de tradição judaica, Mateus quer mostrar que Jesus, mesmo gerado pelo Espírito Santo, era realmente descendente de Davi, e herdeiro das promessas messiânicas, pois José o assumiu e deu-lhe o nome. Para a Bíblia, o nome muitas vezes significa a missão, ou a identidade, da pessoa.

O nome de Jesus significa "Javé salva"! O nome resume toda a missão e projeto de vida do recém concebido! Os vv. 22-23 nos dão um belo exemplo de como os primeiros cristãos faziam releitura do Antigo Testamento, à luz da vida de Jesus. Infelizmente, muitas vezes este trecho é muito mal explicado, como se o profeta Isaías tivesse uma visão dos acontecimentos de Nazaré e Belém, assim reduzindo o profeta a mero vidente! De novo cumpre lembrar que Mateus, na sua polêmica com o judaísmo rabinico formativo, quer mostrar que Jesus realiza as promessas do Antigo Testamento, e portanto que os seus seguidores são os verdadeiramente fiéis à tradição judaica. Por isso, ele usa a tática de "citações de cumprimento das Escrituras" para interpretar os acontecimentos mais marcantes da vida de Jesus (1,22; 2,15.23; 4,14; 8,17; 13,35; 21,4; 27,9). Assim, o trecho de hoje usa um texto de Isáias, onde, diante da recusa do Rei Acaz de pedir um sinal de Deus, o profeta aponta para a sua jovem esposa, já grávida, e diz que antes do filho chegar à idade de razão, os dois reis que o atacavam seriam derrotados (cf. Is 7, 1-15). O texto original hebraico não falava duma "virgem" mas usava um termo hebraico "almah" que significava tanto uma menina virgem, como uma jovem recém-casada. L. Stadelmann mostrou que o termo também designava uma senhora nobre estrangeira, no caso, a esposa estrangeira do Rei Acaz. Também, o texto hebraico diz que ela "concebeu" e não que "conceberá" (como foi traduzido pela versão dos Setenta, no grego).

Portanto a profecia de Is 7,14 originalmente não se referia à Maria. A interpretação mariana vem de Mateus. Usando a tradução grega da Septuaginta, ele fala que "a virgem conceberá" e dará a luz o filho. A mudança do tempo do verbo, do passado para o futuro, na tradução da LXX, testemunha as expectativas messiânicas do tempo da tradução. Usando o texto de Is 7,14, Mateus faz uma releitura do texto profético, aplicando-o ao Messias e à sua mãe. Este texto é muitas vezes explicado duma maneira fundamentalista, sem levar em conta nem o contexto da profecia de Isaías, nem do escrito de Mateus, como se a frase "conforme as escrituras" significasse que Jesus só tinha que seguir tarefas predestinados pelo Pai, duma forma mecânica. Como diz A. Murad "a frase salienta que o grande sonho do povo, as suas aspirações, os seus desejos mais íntimos e utopias, as suas expectativas messiânicas, encontram realização na pessoa de Jesus...a partir da sua Ressurreição, os cristãos olham para o passado e se servem de imagens e trechos de profecias, para justificar esta experiência indescritível.

Algumas vezes, como faz Mateus, chegam até a forçar e alterar parte do texto original. Não se sentem presos à letra da escritura mas movidos pelo Espírito, que os faz ver o sentido último dos acontecimentos.....Eles conferem sentido novo aos textos antigos, que muitas vezes extrapola a intenção original do seu autor. Assim acontece com Is 7, 14, reinterpretado por Mt 1,22s. O primeiro texto não diz respeito a Maria e Jesus, o segundo sim." (Quem É Esta Mulher? - Paulinas p. 213). O texto de hoje nos dá o verdadeiro motivo da alegria do Natal - não porque é festa de presentes e festividades, mas porque recordamos (fazemos passar de novo pelo coração!) a verdadeira Boa-Nova: que Jesus era o "Emanuel", o Deus-Conosco, aquele que veio salvar-nos dos nosso pecados! Era a encarnação da bondade e de amor gratuito de Deus!

Tomaz Hughes SVD
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Romaria da Juventude Verbita

27-07-2017 Notícias da congregação

O evento que teve duração de dois dias teve como tema “JUVENTUDE VERBITA UNIDA POR UM MUNDO MELHOR”. A programação foi toda trabalhada e preparada para que cada jovem tivesse uma experiência diferente do que está acostumado.

Leia Mais

Reforma Trabalhista

20-07-2017 Notícias da Igreja

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está presente entre as entidades que assinam Nota Pública criticando o projeto de Reforma Trabalhista que será votada nesta terça-feira, 11 de julho, no Senado. Na Nota, as entidades afirmam que o texto está “crivado de inconstitucionalidades” e representa “grave retrocesso social”. Entre os pontos de inconstitucionais destacados na Nota, estão a...

Leia Mais